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Da terra vermelha à xícara: como o café se tornou parte da alma brasileira
Por Wellington Camilo 4 min de leitura
Da terra vermelha à xícara: como o café se tornou parte da alma brasileira
Uma bebida que se tornou identidade
Poucos produtos carregam tanto peso simbólico para um país quanto o café para o Brasil. A planta chegou por aqui em 1727, trazida da Guiana Francesa, e encontrou no clima e no solo brasileiros condições quase perfeitas para se espalhar. Do Rio de Janeiro ao Vale do Paraíba, e depois para o interior de São Paulo e Minas Gerais, o café avançou junto com fazendas, ferrovias e cidades inteiras que nasceram para sustentar sua produção. Mais de dois séculos depois, o grão deixou de ser apenas uma mercadoria de exportação. Tornou-se hábito, símbolo de hospitalidade e parte da rotina de praticamente todo brasileiro, do campo às grandes metrópoles.
O cafezinho de todo dia
No Brasil, oferecer um cafezinho é quase um ato de boas-vindas. Em casas, escritórios, padarias e repartições públicas, a pergunta "aceita um cafezinho?" costuma vir antes de qualquer assunto sério ser tratado. É o gesto que abre uma conversa, aquece uma visita e marca uma pausa no meio do trabalho. Esse hábito atravessa classes sociais sem distinção. O mesmo cafezinho servido em xícara de porcelana em uma sala de reuniões aparece em copinho descartável na padaria da esquina ou na mesa de uma cozinha simples no interior. Poucas coisas são tão democráticas quanto essa xícara pequena, forte e geralmente bem açucarada que acompanha o brasileiro do café da manhã ao fim da tarde.